Essa é a reflexão que o anjo Clarence faz a George Bailey, no filme A felicidade não se compra, um dos maiores clássicos do cinema.
Na véspera de Natal, George toma a decisão de tirar a própria vida por não encontrar sentido nela. Falido e a ponto de ser preso, sua esperança há muito tinha acabado. Clarence entra em cena e, para salvá-lo, mostra como a vida das pessoas ao seu redor seria caso ele nunca tivesse existido.
Segundo o Dr. Viktor Frankl, para saber o sentido da sua vida, você precisa descobrir aquilo que só você pode fazer. A vida que George encontra ao chegar é triste. Sua cidade, perdida porque ele não estava lá para impedir sua queda. Seu irmão, morto porque ele não estava lá para salvá-lo. Sua esposa, sozinha. Seus filhos, jamais nascidos.
Ele vê o bem que não aconteceu porque não estava lá para fazê-lo.
George finalmente se dá conta de que sua vida já tinha sentido, mas ele, cego pelos problemas, não tinha percebido. Era uma vida preenchida de amor, esperança, serviço e doação. Essa descoberta reflete exatamente o que Frankl propõe: o sentido da vida está intrinsecamente ligado ao impacto único que podemos ter no mundo. Assim como George, muitas vezes, só percebemos esse impacto quando confrontados com a ausência dele.
Quando temos que ajudar os outros, somos impelidos a sair de nós mesmos, pensar menos em nossos problemas e olhar para a dor do outro. Contraditoriamente, tal ato contribui para diminuir a dor em nós. O conceito de autotranscendência, central na obra de Frankl, nos mostra que, ao focar no bem-estar dos outros, encontramos um sentido maior que nos sustenta, mesmo nos momentos mais sombrios.
É interessante como o bem que uma vida humana realiza tem o poder de tocar tantas outras. Ao ver tudo o que poderia ter acontecido, George agradece pelo milagre que é estar vivo, e a esperança renasce nele. E um ser humano com esperança, meu amigo, é capaz de realizar grandes coisas.

Quando pensamos que tudo está perdido, o bem realizado jamais é esquecido. Ele traz aos corações, diante de dias difíceis, a possibilidade da chama da esperança jamais se acabar.
O sentido da vida se revela não apenas nas grandes realizações, mas no impacto sutil, e muitas vezes profundo, que deixamos no mundo e nas pessoas ao nosso redor.


